Tuesday, September 08, 2009

O evento Xamanico foi um sucesso! Seguem as fotos e uma mensagem das organizadoras:
"Olá queridos amigos,Ainda que com relativo atraso, não poderíamos deixar de compartilhar com vocês o resultado do workshop Iniciação Solar Inca com os xamãs Mallku e Alanna. Mesmo com tão pouco tempo para divulgar e organizar o evento, a resposta foi extremamente positiva. Para quem já conhecia Los Maestros, o reencontro carregou os ares do Cosme Velho com a sagrada energia dos Andes, trazendo até nós a vibração de Wiracocha e Pachamama. Para quem ainda não os conhecia, o evento proporcionou um mergulho nas florestas incas, um encontro com a força de um povo que tem no ritmo da Terra o ritmo de seu coração. Nosso próximo passo é irmos juntos viver a magia do povo inca e beber nas fontes sagradas a água que nos liga às estrelas. Então, até o nosso próximo encontro! "
Graça Amim
Renata Conde
Rita M. dos Santos







Tuesday, August 11, 2009




Queridos amigos,Temos o prazer de comunicar a vinda em agosto dos xamãs Mallku e Allana ao Rio de Janeiro. Durante dois dias, serão oferecidas práticas ritualísticas da mística andina. Um mergulho na cultura inca, trazendo até nós ritos de purificação, libertação e comunhão com Pachamama. Local: Cosme Velho. Valor: R$ 330,00 - almoços e coffee breaks incluídos. (Para maiores informações, contatos abaixo ou email reconde@novatrilha.com.br - Renata e/ou gracaamim@terra.com.br - Graça )

Tuesday, April 21, 2009

Cuidado! Lá vem o Urso!

Tão bonitinho… todo fofinho, que pelo lindo! Pois é, o urso sempre chama atenção de alguma forma. Ou pelo seu lindo pêlo ou pelo seu forte e largo corpo, ou pelo poder que emana e a visibilidade que ganha.
Gostou? Achou bonitinho? Então leva para você!

E essa é só pontinha do iceberg!

O poema das Cartas Mundi já traz o aviso:

“Bem estar e alegria é a mensagem do Urso quando ele está a vista; mas, ele diz, cuidado com malevolência e inveja.” (Lenormand – Cartas Mundi)




A alegria e o bem estar não são nossos, mas às nossas custas, pois quem se farta sempre é esse glutão que raspa o prato e ainda quer o nosso. E ai de você se não o der para ele!

Comodistas e oportunistas, visam sempre tirar vantagem das pessoas ou situações.


Estão em toda parte e nos deparamos com eles quase todos os dias.
São homens e mulheres que incorporam a carta 15 na sua forma física ou no seu comportamento e personalidade.


Nas minhas anadanças por essa vida já esbarrei com alguns, e posso dizer que a experiência não foi nada agradável.

Egoísmo e egocentrismo são caracaterísticas marcantes na carta 15.
O urso sente? Claro! Ele sente sim! Intensamente! Mas seu sentimento é oriundo de suas necessidades pessoais, focado somente em si mesmo. O que lhe agrada não tem nada a ver com quem o cerca e ele fará tudo para ter seus desejos satisfeitos.
Seres apaixonados com grandes desejos e sempre insatisfeitos pois são insaciáveis. Isso os torna um perigo! Imaginem só, uma vez que o que temos para dar se enquadre nas necessidades deles teremos a sensação de algo maravilhoso pois vão se banquetear conosco. Darão pouco mas com firmeza para garantir o suprimento do que precisam nos fazendo ter a impressão de que tudo é forte, perfeito, e de que nunca sentimos algo tão intenso antes.

O abraço quente, a pegada forte, as palavras de motivação. Até que um dia a novidade acaba e aí já era! Tudo isso começa a desmoronar na nossa cabeça e o abraço quente passa a ser sufocante e a pegada forte começa a machucar poque ele não quer mais, mas perder não é com nosso amigo então ele vai querer preservar até o que não tem mais graça e procurará algo novo para colocar em cima do que já tinha. Quanto mais, melhor!

Uma frase de um urso que conheci me marcou profundamente e com ela pude vê-lo ali na minha frente, vivo, rosnando e babando, colocando suas garras de fora em seu frenezi caracaterístico. Quando eles estão perto de perder algo ou estão numa fase de abundância, perdem o controle. E a as palavras foram:

“Eu quero tudo. Quero você quero os outros, não quero perder nada. Não deixo nenhuma oportunidade passar mesmo, porque eu não vou perde-la.”

As ações egoístas comprometem quem está perto dele pois para o nosso amigo peludo não existem acordos em quaisquer relações, uma vez que esses são apenas barreiras a sua vontade. O sentimento dos outros é algo que não é levado em conta pois é difícil de perceber, tão etéreo para sua visão e sentidos sintonizados no mundo material. Afinal, se fosse mesmo pensar nele e nas consequências de seus atos teria de medi-los e isso implicaria em perdas, e essa palavra,meus amigos, não está em seu vocabulário! Para ele, os outros que se danem, afinal são somente fontes de alimento.

Outras palavras que ilustram bem isso também foram proferidas pelo nosso robusto amigo:

“Eu é que sei o que é bom para você e para a gente. Se é bom para mim é bom para você. Vai ter de ser do meu jeito!”

Entregar o coração a um deles pode ser extremamente perigoso e danoso. Ele aperta tanto que o quebra. Ele usa e abusa, morde grandes pedaços e bate forte com suas patas nele. Farta-se em seu calor e na doçura de seus sentimentos destruindo-o como faz com as colmeias onde busca mel. E o coração é um alimento tão bom que um só não basta.

Sem qualquer cerimônia, não dispensa quem aparecer e depois vem com aquela ladainha bem conveniente para si:

“Eu sei muito bem separar sexo de amor”

Assim eles acabam querendo ter todo mundo e perdem ter alguém, esquecendo-se que ter todos é não ter nada, pois com a diversidade e rotatividade não conseguimos criar vínculos e ter um é ter tudo pois assim podemos viver intensamente criando intimidade e profundidade de sentimentos. Dessa forma são seres solitários e em conflito por não conseguirem estar sós e com grande dificuldade em manter uma relação a não ser que tenham total domínio e controle sobre suas prezas, o que não é algo raro.

Poder! É isso que eles gostam! De estar por cima, de ter o controle de serem obedecidos e nunca obedecerem.
Se alguém ou alguma coisa os contraria eles põem-se de pé, mostram as garras e gritam, tentando vencer pela força bruta. Ninguém escapa. Família, amigos, namorados, etc.

Orgulhosos, não dão o braço a torcer.

O urso incorpora a força telúrica, a força da terra. Ele hiberna na caverna e habita a montanha. A sua energia é densa e concentrada, fortemente ligada ao mundo material e a tudo que dele vem. Isso o torna lento e preguiçoso, muitas vezes, fazendo-o querer muito e com qualidade mas sem fazer grandes esforços. Espaçoso também, pois está sempre crescendo, aumentando sua massa.
Com relação a isso comenta Cynthia, na minha comunidade do Orkut:

“O urso é a personificação de uma pessoa(seja homem ou mulher) que não vive de ilusões,não acredita em contos de fada! É muito pé no chão e um ser totalmente carnal (vive muito do plano físico),ele não tem nada de espiritual,aliás,se formos ver por esse lado,trata-se de uma pessoa descrente ou contrária á nossa espiritualidade.”

O que poderíamos tirar de bom do Urso é sua capacidade de gerar recursos, de converter o que está a sua volta em algo útil para si. Vemos bem isso na sua bilogia, é um animal onívoro, alimentado-se de frutas, peixe, carne, vegetais para com isso gerar a gordura que o sustentará durante a sua hibernação. Mas ele só sai na primavera, época onde tudo que precisa é abundante e não está longe de si.

Seus pensamentos são densos e limitados, geralmente obsessivos. Quando não tem condições de conseguir o que querem, quando sentem que todo o seu poder não chega para seus fins, caem em depressão e fazem cara de coitados. Quem os vê até tem pena, aqueles olhinhos caidinhos aquela sensação de frustração. Seu discurso é comovente pois eles tem sempre uma desculpa para tudo e mesmo quando causam prejuízo a alguém acreditam que a culpa não foi sua e que a pessoa é totalmente responsável pelo prejuízo gerado (por suas garras e dentes afiados,rs).

Quando bem canalizada a energia da carta 15 ela pode se mostrar portetora e poderosa, corajosa e brava, mais ainda meio abrutalhada. Para ilustrar segue mais uma observação da Cynthia:

“Quantas pessoas não contam com o apoio do amigo urso!? O amigo urso pode ser um policial esquentado,um traficante,um rapaz briguento,um marido ciumento,um irmão boxeador,um namorado faixa preta...daí quando surge algum perrengue pro seu lado,você chama ele e ele vai acertar as contas com a pessoa que te machucou.”

E dessa forma temos O urso:

“Um dos predadores mais reverenciados da natureza. Imensamente poderoso , um animal que incorpora a selvageria e o perigo do mundo natural.”
Frase extraída do documentário: "The Man who lives with Bears"

Tuesday, April 14, 2009

Origens by Maria Cristina

Hoje eu trago pra vocês um texto enviado pela minha amiga Maria Cristina, super interessante, e bem esclarecedor sobre a Origem do Petit Lenormand. Existe muita mistificação em torno do baralho e as referências históricas são cercadas de incoerências por parte de muitos praticantes e estudiosos. Aqui temos um pouco de luz no meio dessa escuridão.
...

Origens do Baralho Cigano Petit Lenormand
Quando começamos a estudar o Baralho Cigano a literatura sobre o significado das cartas é muito farto, mas sobre o modo de “se preparar”, “de consagrar o baralho”, dos “elementos” “de vidência”, etc.. mas, sobre as origens do surgimento do Baralho Cigano a coisa começa a complicar, pois há muita controvérsia, pouco material disponível, poucos registros, etc. A explicação mais plausível e coerente foi a que obtive de Alexander Lepletier, um estudioso profundo de suas origens, professor de cursos sobre o mesmo no eixo Barsil-Portugal:
Ao se comparar o Baralho Cigano ou melhor dizendo: Petit Lenormand ou Sibila Lenormand com outros baralhos cartomânticos europeus dos séculos XVII, XVIII e XIX, vê-se imensos paralelos e similaridades!
Esse baralho vem a ser uma derivação de um outro baralho criado em 1828, chamado “A Sibila dos Salões” com 52, cartas. E esse mesmo vem ser uma outra derivação das Cartas Sentimentais, baralho inglês dos fins do século XVIII. Para um melhor entendimento vamos voltar no tempo até o princípio... As primeiras cartas surgem antes dos primeiros tarots.


Ainda com origem incerta registra-se seu surgimento por volta de 1380 e sua função era lúdica, a princípio. O primeiro manual cartomântico surge em 1540. Muito simples e só falava do naipe de ouros utilizado num sistema de trincas com perguntas e respostas prontas... É aqui no século XVI que começa ganhar força a prática divinatória com as cartas.No século XVII surgem baralhos cartomânticos novos e é mais popularizada a adivinhação pelas cartas, mas nos séculos XVIII e XIX é que acontece o "boom" da cartomancia.No século XVIII Etteilla, um cartomante parisiense que teve um papel muito importante também na história do tarot, cria um baralho cartomântico (termo esse "cartomantico" criado por ele mesmo), onde escreve nas cartas os seus significados para facilitar a interpretação e cria o sistema de "cartas invertidas" pois as figuras da corte não eram desenhadas como no baralhos de hoje, duplas. O costume de se escrever nas cartas era devido à escassez do papel da época.
O baralho do Etteilla tinha 32 cartas (um jogo de piquê), mais uma introduzida por ele a significar o consulente, e é aqui que Mlle Lenormanda entra... o baralho que ela utilizava e que aprendeu a jogar foi um baralho do Etteilla. Ela vive no mesmo período que o cartomante. E é com esse baralho que faz suas consultas, utilizando-o ocasionalmente, uma vez que ela é mais vidente de que cartomante!
Lenormand ganha fama e sucesso e vem a ser cartomante de Napoleão e Josefina. Dado muito difundido mas não confirmado historicamente.

Ela se auto intitulava "A Sibila dos salões"... esse termo "Sibila" vem de uma personagem grega que muito pouco se conhece, famosa por suas previsões. O termo passar a designar, mais tarde, no império romano um oráculo composto por textos que vem a ser quase destruído com o advento do cristianismo, mas que é absorvido pela cultura judaica , mantendo o termo "Sibila" como tendo o sentido de "profecia". Inclusive, algumas igrejas contém imagens de mulheres carregando essas mensagens proféticas sendo-lhes atribuídas a designação de "Sibilas".Lenormand morre em 1843, mas em 1828 nasce o "sibila dos Salões" que faz referência à sua pessoa como estratégia de marketing e venda pelos fabricantes de cartas a partir do baralho inglês "as cartas sentimentais".

Lenormand não deixa, publicada, nenhuma obra que diga respeito a tratados esotéricos ou oraculares, mas sim um livro em que faz a análise quiromantica da mao de Josefina e fala da
relação das duas. Outros manuscritos deixados por ela encontram-se na posse de sua família, inétidos até hoje.

A prática da cartomancia era muito popular entre as mulheres nos salões aristocráticos e rejeitada pelo ocultismo como "mera adivinhação" e "coisas para as mulheres"(essas tidas como inferiores e de intelecto reduzido, na altura). Elas vinham saber sua sina e se haviam "bons partidos" em seus caminhos. Podemos verificar isso nas imagens dos baralhos dessa época que continham muitas cartas a representar pessoas. Militares, homens de negócio, morenos, morenas, louros, louras, etc...Com o crescente sucesso dos baralhos, os fabricantes de cartas da França, Alemanha, Austria e Itália começaram a grande competição criando baralhos mais estilizados e elaborados que agradassem as pessoas pela simplicidade, beleza e funcionalidade e em 1840/50, no século XIX, século esse onde houve a maior produção de baralhos da época e que as ciências ocultas ganharam especial atenção das pessoas, é criado pela AG MÜLLER, na ALEMANHA, o Petit Lenormand composto por 36 cartas, ao mesmo tempo que:

o jogo do destino com 32,


a Sibila cigana e mts outros...



todos sendo esses, derivações da "Sibila dos Salões".


Ao Petit Lenormand associa-se o nome de mlle Lenormand, o que lhe destaca dos outros e o lança para o sucesso. Nesse baralho temos, de maneira bem visível, cartas que vieram da Sibila: o casamento torna-se o anel; a esperança, onde uma mulher abraça uma âncora, torna-se a âncora, essa sem a figura feminina;


e algumas personalidade tornam-se animais como "o traidor" torna-se " a cobra".

E esse baralho faz parte da série de "Cartas Sibilinas"... "A Sibila Lenromand (o baralho cigano), a Sibila cigana, a sentença da Sibila, a antiga Sibilia italiana, etc...E, com o sucesso do baralho Lenormand , cria-se uma sub-série, a série Lenormand que é composta por várias variantes do nosso baralho cigano.
Valeu Cris!!!!

Monday, March 30, 2009

Raposa!

Falaciosa, enganadora, engenhosa, sedutora, mentirosa....

A RAPOSA E O GALO

Uma raposa viu um galo pousado em cima de um palheiro, e não podendo agarrá-lo começou a falar-lhe cá de baixo:
– Ô galo, você não sabe? Veio agora uma ordem para todos os animais serem amigos uns dos outros. Nós, as raposas, já não temos guerra com os cães, estamos amigos; e você pode descer aqui para baixo, que eu já te não faço mal.
Estava nisto, quando vem uma matilha de cães, e farejando a raposa, correm atrás dela. A raposa ia sendo agarrada, mas fugiu o mais que podia. O galo de cima do palheiro gritava-lhe:
– Mostra-lhe a ordem! Mostra-lhe a ordem!
A raposa, ainda de longe lhe respondia:
– Não tenho vagar! Não tenho vagar.
E fugia por entre uns tremoçais, que já estavam secos, que faziam uma grande bulha, e ela dizia:
– Ai, que festa de arromba! E logo hoje, que vou com tanta pressa.
Oportunista! Enquanto uns usam a força ela usa a astúcia


Um Leão e um Urso capturaram um cervo, e em feroz luta, disputavam pelo direito de posse da presa. Após terem lutado bastante, cansados e feridos, eles cairam no chão completamente exaustos.

Uma Raposa, que estava nas redondezas, à uma distância segura observando a tudo quieta, e vendo ambos caidos no chão e o cervo abandonado ali perto, passou correndo entre os dois, e de um bote agarrou-o com a boca e desapareceu no meio do mato.

O Leão e o Urso vendo aquilo, mas incapazes de impedir, disseram:

- Ai de nós, que nos ferimos um ao outro apenas para garantir o jantar da Raposa!

Engana a todos, até a si mesma!


A Raposa e as Uvas


Uma raposa entrou faminta num terreno onde havia uma parreira, cheia de uvas maduras,cujos cachos se penduravam, muito alto,em cima de sua cabeça. A raposa não podia resistir à tentação de chupar aquelas uvas, mas, por mais que pulasse, não conseguia abocanhá-las. Cansada de pular, olhou mais uma vez os apetitosos cachos e disse: Altas demais - não houve impasse:
"Estão verdes. . . já vi que são azedas, duras. . ."

Saturday, March 28, 2009

BOA SORTE




Thursday, November 06, 2008

Do Clavário a Redenção. Lenormando na Cruz.

Cada um carrega a sua cruz, já dizia a bisavó da minha avó. O seu peso só sabe quem a tem nas costas, e essa metáfora simboliza os desafios que a vida nos apresenta e que, apesar de todo esforço que exigem, nos fortalecem e amadurecem.

A cruz é o principal símbolo do cristianismo e representa o sacrifício de Cristo para a salvação da Humanidade. Encerra em si uma carga de grande sofrimento e dor e, ao mesmo tempo, alívio, superação e libertação.
“Na subcultura Gótica, este símbolo geralmente é a representação da tortura ou angústia interna, já que a palavra Cruz vem do latim "Crucio", que significa tormento ou suplício.
Provavelmente esta definição tenha o sentido original, já que em Roma antes mesmo da morte de Cristo, era usado para esta finalidade. Uma das formas de condenação à morte consistia em atar ou pregar condenados em uma cruz, fazendo os mesmos padecer terrivelmente.” (fonte: wikipedia)

Talvez essa concepção tenha inspirado alguns autores europeus fragmentando a escola europeia no que diz respeito ao significado da carta 36, onde, de um lado temos uma cruz de mau agouro, de sofrimento e padecimento e do outro uma cruz de vitória e libertação.

Através de um processo natural o símbolo também evolui e assim foi com a cruz através do cristianismo que vem simbolizar o sacrifício de Jesus pela Humanidade e a superação da morte. A Niké de Cristo. Com isso a cruz ganhou, na história do filho de Deus um atributo mais auspicioso, onde o sacrifício eleva e leva a redenção e sua imagem evoca todo o poder do criador que afasta o mal.

Tal passagem bíblica teve um impacto tão grande no coletivo por ter sido perpetuada pela religião dominante que não é nada mais que a cruz da humanidade nos últimos séculos trazendo para o mundo um misto de sofrimento e libertação que se misturam de forma desproporcional dependdo do momento, da região e das pessoas que a praticam e pregam. E dessa forma a gente segue perpetuando a meme cristã que vovó nos ensinou.

Mais uma vez lenormando, dessa vez na cruz, eu me remoto a mais de oito anos atrás quando, no dia 15 de Maio de 1999 eu me dirigia ao Aerporto Internacional António Carlos Jobim para embarcar na mais ousada e inconsequente aventura da minha vida, a partida para tentar a vida na Europa, mais especificamente em Portugal, junto com um dos meus melhores amigos. Só os Deuses sabiam o que adviria dessa louca empreitada rumo ao desconhecido e que impactaria minha vida profunda e drasticamente me fazendo, de uma forma bem plutoniana, renascer das cinzas anos mais tarde.
Viver no estrangeiro é algo muito longe do ideal utópico que muitos alimentam (e que eu um dia alimentei também); de um lugar onde ganharemos muito mais e que teremos lá as oportunidades que não temos em nossa terra.

A imigração é um dos maiores exemplos da carta 36 pois implica em escolhas difíceis e na vivência de situações extremas que nos colocam em muitos dos nossos limites. Ela pode dar certo ou não, dependendo da estrutura interna de cada um.

Foram 8 anos e meio de vida em Portugal que constituíram um processo de transformação intenso na minha vida.
O crucio dessa aventura começa na falta de dinheiro que geralmente acontece antes de nos fixarmos num trabalho tornando tudo mais difícil. O clima frio e hostil castiga o corpo, esgota-nos física e psicologicamente. A diferença cultural e o preconceito, que é uma realidade viva e algo extremamente perturbador, põem-nos a prova a cada dia.


A cruz do Calvário.
Lembro-me várias vezes de ser taxado de vagabundo, safado, malandro, terceiro mundista e mal-educado somente pelo meu sotaque e pela minha origem. E nesse momento de grande rejeição, você percebe que é uma gota de azeite num copo-d’água, mesmo essas agressões partindo de poucos. Quem você é fica em cheque e se não houver uma boa estrutura interna, somos massacrados e nesse momento temos a oportunidade de saber quem realmente somos e se reconhecemos e valorizamos isso.

As oportunidades de trabalho são escassas, a remuneração baixa para os ilegais faz com que tenhamos de trabalhar arduamente, dia e noite para pagar o preço de nosso sonho. O pote de ouro até existe mas está enterrado muito fundo e acessível a pouquíssimos.

Como carvão sob as altas pressões das profundezas das entranhas da terra somos transformados até nascer um diamante. E quando isso acontece, ufa! Que alívio, que maravilha. O Poço foi fundo e a queda pareceu interminável. Todas essas adversidades que vivi, desde a falta de dinheiro, a deportação, a fuga da polícia, o preconceito, o ter de viver de favor na casa algumas pessoas (umas bem intencionadas mas com envolvimento em atividades ilícitas, o que me expunha a perigos devido a minha situação legal), foram como o calor e a pressão do útero de Gaia, como as marteladas e talhadas do joalheiro que moldaram todo o meu ser, que mudaram a minha visão de mundo num processo doloroso.
Houve um momento em que quiz ir embora. Já não aguentava mais. Estava fraco pois não conseguia comer direito, com queda de cabelo e irritações na pele. Somatizações de meus conflitos. Mas já era tarde. Meus pais passavam, também, grandes dificuldades aqui, e eu não me sentia no direito de pedir que pagassem a minha passagem de volta uma vez que quem decidiu ir para lá fui eu.
Acho que nesse momento os primeiros traços do diamante já se tornavam visíveis.
Gritei aos céus irado e disse que tudo aquilo bastava! Que não iria mais suportar nada do que estava vivendo, que a partir daquele dia as dificuldades tinham de cessar pois eu não era merecedor de tamanho fardo.

E algo surgiu dentro de mim, uma força enorme, que não sei onde estava, se é que estava lá. Então, com o punho fechado, soquei a mármore da varanda e disse: “Eu vim para cá para vencer e só saio daqui vencedor!”

Acho que nesse momento os deuses ouviram o meu apelo.

Verdade foi que a partir daí, outros problemas vieram, mas eu estava mais forte, senti-os menos. Iniciei minha carreira de tarólogo, fui convidado por uma feira esotérica, ironia do destino, chamada Anjos e Companhia (risos, mantras, preces e agradecimentos).

RENDENÇÃO!

Logo no começo de toda essa novela, lembro de ter ido numa feira esotérica a um tarólogo espanhol, chamado Raul, que me disse: “Vai tudo piorar. Não espere vitória no que busca, mas aos poucos, com a ajuda de amigos, contruirás não uma igreja, mas uma catedral.”

Enfim, os deuses nunca haviam me abandonado. Eu apenas viva o meu destino. Destino esse que escolhi quando dei ouvidos a uma vozinha que não saía da minha cabeça e me enchia o saco com a ideia de viajar para o estrangeiro. Um sagitariano com lua em aquário e sol e conjução como regente da casa nove não tem como resistir a tamanha tentação.

Se não tivesse passado por tudo isso, com certeza não estaria aqui hoje escrevendo para vocês, nem com todo o conhecimento e as ideias inovadoras sobre o Petit Lenormand que desenvolvi através das minhas pesquisas lá fora.

Lembram que mencionei o termo “Niké” quando falei da ressurreição de Cristo? Pois é. Essa palavra encontra-se escrita em algumas representações da curz e ela significa Vitória. Niké era uma deusa que vivia ao lado de Athena e que concedia a vitória a quem estivesse com ela. Os deuses cobiçavam-na muito. A palavra vitória vem do seu nome romano: Victoria e ela é representada até hoje na nossa arte.

Mas a vitória da cruz não foi só na consolidação da minha carreira. Dinheiro algum paga os amigos que fiz e que mantenho até hoje, as viagens por alguns países que me proporcionaram experiências fantásticas e inusitadas, o meu afilhado e a possibilidade de uma nova e melhor vida aqui, na minha terra onde se encontra o meu coração.
Minha professora de Ética, na Nova Acrópole do Porto, a francesa Françoise Terseur, fez menção acerca da palavra Crise que tem a mesma raiz etimológica que a palavra crisálida, o casulo da borboleta.
A lagarta, ser destruidor e glutão, em dado momento se imobiliza e se envolve num casulo. Dentro dele passa por um doloroso processo de metamorfose que implica na morte do que foi para o nascimento de um novo ser. Abre mão da fartura das folhas e se entrega ao torpor e a vulnerabilidade. Ao fim desse processo complexo e demorado irrompe seu invólucro e sai numa nova forma. Leve, sutil e bela que vai buscar as flores, ajudando a sua polinização e a sua perpetuação, compensando a destruição causada pelo seu estágio anterior.


Hoje estou aqui. Vivo, diferente, novo. Fortalecido por todo esforço que as situações desfavoráveis e favoráveis me proporcionaram.
Vitória depois do Sofrimento. Libertação após a dor.
Niké, a deusa da vitória, pousa ao meu lado, me refresca com o bater de suas asas e me coroa com seus louros. Graças aos Deueses e a mim também.
Pérolas resultam do sofrimento da ostra


Beijo a todos!